terça-feira, 14 de maio de 2013


O FORDU-HUAMBO PROMOVE O DEBATE SOBRE A IMPORTANCIA DA INTERNET E DAS REDES SOCIAIS NA DEMOCRATIZAÇÃO DE ANGOLA Tema comunicado pelo Sr José Gama, Administrador e proprietário do Site noticioso online Club-K acompanhado de seu colega que representa o Club-k em Luanda sr Lucas

O papel da  internet no desenvolvimento/democratização  de Angola  

Introdução

 A Internet, segundo a wikipidia  é o maior conglomerado de redes de comunicações em escala mundial,  e dispõe milhões de dispositivos interligados pelo protocolo de comunicação TCP/IP que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados.  A internet oferece  uma variedade de serviços, incluindo os documentos interligados por meio de hiperligações da WORLD WIDE WEB (Rede de Alcance Mundial), e a infraestrutura para suportar correio eletrônico e serviços como comunicação instantânea e compartilhamento de arquivos.

A  internet  nasceu, nos anos 60,  no auge da guerra fria, como conseqüência de uma disputa tecnológica na área militar  por parte da DEFENSE ADVANCED RESEARCH PROJECTS AGENCY (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada), conhecida como DARPA.  Esta instituição, segundo a historia  desenvolveu um sistema de comunicação que funcionaria,  mesmo se partes das suas estruturas fossem destruídas numa guerra nuclear. O segredo era uma rede de computadores acessível de qualquer lugar do mundo e com múltiplas rotas de transmissão de dados. O sistema foi batizado de Arpanet e, em 1969, já estava online. Assim nascia o embrião do que hoje chamamos internet.  A transmissão daquilo que pode ser considerado o primeiro  email da historia aconteceu em 29 de Outubro de 1969, nos Estados Unidos.

A internet é o  único meio de comunicação que em apenas 4 anos conseguiu  atingir cerca de 50 milhões de pessoas.  Até 2003, cerca de mais de 600 milhões de pessoas estavam conectadas à rede.  Em junho de 2007 este número se aproxima de 1 bilhão e 234 milhões de usuários, segundo a Internet World Estatistics.

A China, EUA, Índia,  Japão e Brasil, são os  cinco primeiros países que lideram ao acesso a internet, a nível do mundo. O  continente Africano representa 7% dos usuários do planeta, segundo a  Internet world statistic.

EM ANGOLA, EMBORA SE DIGA QUE O PRIMEIRO LOCAL A SER USADO  A INTERNET FOI NA JAMBA, ANTIGO BASTIÃO DA UNITA,  em finais da década de noventa, há igualmente conhecimento que, o país começou, de forma oficial,  a consumir esta rede de comunicação a partir de 1996. Mas antes disso, já se fazia o uso de computadores  e dos seus respectivos  programas quanto que nas primeiras eleições gerais de 1992 foram manejados pelo professor João Sebastião  Teta.

Segundo registro  da INTERNET  WORLD ESTATISTIC, de 2012, o nosso país tem  uma população de cerca de 20,139,765 de pessoas sendo que 2,976,657 (quase 3 milhões ) são usuários da internet. O que se pressupõem dizer que apenas  14,8% da população usa internet.   Nos EUA,  por exemplo 78,1% da população usa internet, na Alemanha 83%, na Korea 82%.

Internet e o desenvolvimento pessoal das pessoas

É concebido que quanto mais informadas  e acesso a fontes de informação terem as  pessoas, mais desenvolvidas elas ficam. Isso justifica a comparação os usuários  africanos  com o resto do mundo.  Estes estão  com cerca de 80% da sua população a freqüentar a internet. No nosso caso Africano lidera o Egypto que tem 35,6% da população a usar a net sendo o 20 do mundo.  Temos países como Congo Democrático que apenas 1,2% da população  tem acesso a internet.

No caso angolano, o numero de usuários na internet   tem vindo a aumentar  em função da facilidade do acesso por via da  banda larga, em que se pode ser acessada a partir mesmo de um telemovel. No passado era necessário uma rede de telefonia fixa  convencional o que nem todo mundo tinha, para alem dos serviços  serem caros.

Com a facilidade que se tem tido para acessar a internet, no caso especifico de Angola tem se usado com freqüência, para nos comunicarmos via email com amigos e familiares, consultas para fins acadêmicos e cultura geral.  Há também quem  use para transações bancárias usando o home banking, embora seja um numero reduzido porque   requer-se cartão de credito da rede visa ou máster card, e para alem de nem todos possuírem, as pessoas ainda não tem confiança em usar os cartões on line.

 

Angola e as redes sociais

Até Dezembro de 2012, cerca de  645,460 angolanos terão se inscrito no facebook, a maior  redes social do momento. O uso desta ferramenta  mudou a forma de estar dos internautas uma vez que lhes permite estarem  actualizados e a interagir com o mundo.  O facebook proporcionou também  aos angolanos um novo formato de debate que muito é necessário para aproximação das pessoas com divergências ideológicas. Por isso mesmo, testemunhamos  no facebook, ministros e membros do executivos a interagirem com quem pensa diferente  num debate construtivo e ate mesmo contraditório. 

E obviamente os angolanos que hoje tem acesso a internet tem uma mentalidade muito diferente. Primeiro porque estão munidos de vários  instrumentos que os permite comparar e aproximar os factos.

As manifestações

Foi através das redes sócias que em Março de 2011, foi convocada uma manifestação anônima que inquietou o governo angolano e ao mesmo tempo mudou a forma de pensar das pessoas. De iniciou, as pessoas,  foram incutidas  por via dos órgãos  de comunicação do estado que manifestação significada confusão e desordem. Para dar sustento a esta campanha de instrução, grupos de milícias criados no interesse do  governo,   se infiltravam nas manifestações para agredir  os manifestantes e conseqüentemente  propagaram  negativamente que os jovens manifestantes eram confusionistas e inimigos da paz.

 

O recurso das redes sociais para convocação de manifestações, trousse também coisas positivas para o governo, no campo do apetrechamento   das novas tecnologias. Através dos seus  Serviços de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE),  as autoridades ao sentirem ameaçadas  e  com dificuldades  no  supervisionamento da actividade de   intercepção e descodificação de mensagens  transmitidas  na internet, recorreram, em 2011, a   especialistas Israelitas para a compra de aparelhos  de alta tecnologia habilitados ao  rastreamento de mensagens  electrônicas “on-line”.  O  SINSE, mandou vir de emergência um grupo de 50 especialistas Israelitas ligados as comunicações que chegaram a  Luanda,  no dia 5 de Março. A  tarefa  seria    identificar a origem de um  email que ameaçava “derrubar o Presidente José Eduardo dos Santos, do poder, no dia 7 de Março”.

Como medida de prevenção,  naquela altura,  o SINSE adquiriu e instalou em pontos fulcrais da cidade de Luanda, sistemas de detenção  de vultos  humanos  com a capacidade de lançar alerta a cenários parecidos a manifestação ou outras movimentações humanas: Por exemplo se o aparelho   for  instalado num  edifício Dr Agostinho Neto,  terá a capacidade para  identificar  movimentação ou concentração de pessoas   na Caala  que por sua vez lança as coordenadas geográficas  para o operacional vigilante na central.  O  SINSE despacharia, de  seguida, um operacional no  local, da “confusão” e em caso de gravidade, este  lança o alerta para as forças de segurança (policia de intervenção ou normal) para intervirem.

Foram também comprados/facilitados, em Israel  aparelhos da mesma linha com a habilidade de detectar  por via de um sistema semelhante ao GPS a localização de aparelhos  idênticos  que  estejam  a  ser usados, em Luanda,  numa freqüência diferente aos aparelhos em uso oficial pelo SINSE.

A vantagem que  as convocação de manifestação via internet/facebook, trousse ao governo foi  de o SINSE ter passado a modernizar-se e  a formar quadros  para esta área.

 

O exemplo dos  sites de informação

 

Hoje a internet equivale a  informação. E uma pessoa informada  é alguém que esta habilitada em conhecer os seus direitos,  e de ter  poder de analisar fenômenos ao seu redor e etec.  Nos países desenvolvidos, os governos fazem questão de ter as suas populações informadas porque são elas que fazem crescer e dar seguimento ao rumo de uma nação. Já nos países  com pouca cultura democrática é diferente. Quanto menos instruídas as pessoas forem melhor, é para que os governos exerçam influencia sobre a mesma e as manipulam.

Muitas vezes, nas rádios do governo e em períodos pré eleitoral  culpa-se a UNITA pela destruição da cidade do Huambo.  Ontem, ao andarmos   pela cidade vimos  prédios e casas com sinais de bombardeamento de MIGs.  Quem é  informado  sabe que a UNITA nunca teve  MIGs  durante a guerra, logo se ela não tinha MIGs não pode ser ela quem fez bombardeamentos   aéreos a cidade do Huambo.

 

Também quem é informado não  aceita que a televisão lhe diga que a sua escola ou o hospital da sua aldeia deve-se a visão de X ou Y ou que é graças a magnanimidade de Z.  Um cidadão informado sabe que é dever constitucional e moral das autoridades  cuidarem do povo.

Conclusão

Uma vez que  queremos desenvolver o nosso país, e desenvolvimento das pessoas equivale estar  bem informada, o que se deve fazer para reforçar ou para que a informação chegue a todos?

No nosso entendimento achamos que o governo e as iniciativas privadas devem ajudar  ou  prestar assistência no seguinte:

- Acesso a internet grátis nas escolas

- Toda a população estudantil  deve ter o seu acesso a internet subvencionado pelo Estado. O Estudante não deveria pagar para ter internet

- Os privados devem criar mais jornais eletrônicos, com  acesso aos debates virtuais no sentido de alastrar a cultura de debate e tolerância entre as pessoas.

- O Presidente da Republica e seus respectivos ministros  devem  criar um email público para interagir com a população e esta por sua vez encaminhar  reclamações sobre a conduta do  governador ou administrador da sua área  ou darem sugestões e idéias de como se poderia implementar alguma política.

José Gama

Huambo, aos 10 de Maio de 2013

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