terça-feira, 14 de maio de 2013


O FORDU-HUAMBO PROMOVE O DEBATE SOBRE A IMPORTANCIA DA INTERNET E DAS REDES SOCIAIS NA DEMOCRATIZAÇÃO DE ANGOLA Tema comunicado pelo Sr José Gama, Administrador e proprietário do Site noticioso online Club-K acompanhado de seu colega que representa o Club-k em Luanda sr Lucas

O papel da  internet no desenvolvimento/democratização  de Angola  

Introdução

 A Internet, segundo a wikipidia  é o maior conglomerado de redes de comunicações em escala mundial,  e dispõe milhões de dispositivos interligados pelo protocolo de comunicação TCP/IP que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados.  A internet oferece  uma variedade de serviços, incluindo os documentos interligados por meio de hiperligações da WORLD WIDE WEB (Rede de Alcance Mundial), e a infraestrutura para suportar correio eletrônico e serviços como comunicação instantânea e compartilhamento de arquivos.

A  internet  nasceu, nos anos 60,  no auge da guerra fria, como conseqüência de uma disputa tecnológica na área militar  por parte da DEFENSE ADVANCED RESEARCH PROJECTS AGENCY (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada), conhecida como DARPA.  Esta instituição, segundo a historia  desenvolveu um sistema de comunicação que funcionaria,  mesmo se partes das suas estruturas fossem destruídas numa guerra nuclear. O segredo era uma rede de computadores acessível de qualquer lugar do mundo e com múltiplas rotas de transmissão de dados. O sistema foi batizado de Arpanet e, em 1969, já estava online. Assim nascia o embrião do que hoje chamamos internet.  A transmissão daquilo que pode ser considerado o primeiro  email da historia aconteceu em 29 de Outubro de 1969, nos Estados Unidos.

A internet é o  único meio de comunicação que em apenas 4 anos conseguiu  atingir cerca de 50 milhões de pessoas.  Até 2003, cerca de mais de 600 milhões de pessoas estavam conectadas à rede.  Em junho de 2007 este número se aproxima de 1 bilhão e 234 milhões de usuários, segundo a Internet World Estatistics.

A China, EUA, Índia,  Japão e Brasil, são os  cinco primeiros países que lideram ao acesso a internet, a nível do mundo. O  continente Africano representa 7% dos usuários do planeta, segundo a  Internet world statistic.

EM ANGOLA, EMBORA SE DIGA QUE O PRIMEIRO LOCAL A SER USADO  A INTERNET FOI NA JAMBA, ANTIGO BASTIÃO DA UNITA,  em finais da década de noventa, há igualmente conhecimento que, o país começou, de forma oficial,  a consumir esta rede de comunicação a partir de 1996. Mas antes disso, já se fazia o uso de computadores  e dos seus respectivos  programas quanto que nas primeiras eleições gerais de 1992 foram manejados pelo professor João Sebastião  Teta.

Segundo registro  da INTERNET  WORLD ESTATISTIC, de 2012, o nosso país tem  uma população de cerca de 20,139,765 de pessoas sendo que 2,976,657 (quase 3 milhões ) são usuários da internet. O que se pressupõem dizer que apenas  14,8% da população usa internet.   Nos EUA,  por exemplo 78,1% da população usa internet, na Alemanha 83%, na Korea 82%.

Internet e o desenvolvimento pessoal das pessoas

É concebido que quanto mais informadas  e acesso a fontes de informação terem as  pessoas, mais desenvolvidas elas ficam. Isso justifica a comparação os usuários  africanos  com o resto do mundo.  Estes estão  com cerca de 80% da sua população a freqüentar a internet. No nosso caso Africano lidera o Egypto que tem 35,6% da população a usar a net sendo o 20 do mundo.  Temos países como Congo Democrático que apenas 1,2% da população  tem acesso a internet.

No caso angolano, o numero de usuários na internet   tem vindo a aumentar  em função da facilidade do acesso por via da  banda larga, em que se pode ser acessada a partir mesmo de um telemovel. No passado era necessário uma rede de telefonia fixa  convencional o que nem todo mundo tinha, para alem dos serviços  serem caros.

Com a facilidade que se tem tido para acessar a internet, no caso especifico de Angola tem se usado com freqüência, para nos comunicarmos via email com amigos e familiares, consultas para fins acadêmicos e cultura geral.  Há também quem  use para transações bancárias usando o home banking, embora seja um numero reduzido porque   requer-se cartão de credito da rede visa ou máster card, e para alem de nem todos possuírem, as pessoas ainda não tem confiança em usar os cartões on line.

 

Angola e as redes sociais

Até Dezembro de 2012, cerca de  645,460 angolanos terão se inscrito no facebook, a maior  redes social do momento. O uso desta ferramenta  mudou a forma de estar dos internautas uma vez que lhes permite estarem  actualizados e a interagir com o mundo.  O facebook proporcionou também  aos angolanos um novo formato de debate que muito é necessário para aproximação das pessoas com divergências ideológicas. Por isso mesmo, testemunhamos  no facebook, ministros e membros do executivos a interagirem com quem pensa diferente  num debate construtivo e ate mesmo contraditório. 

E obviamente os angolanos que hoje tem acesso a internet tem uma mentalidade muito diferente. Primeiro porque estão munidos de vários  instrumentos que os permite comparar e aproximar os factos.

As manifestações

Foi através das redes sócias que em Março de 2011, foi convocada uma manifestação anônima que inquietou o governo angolano e ao mesmo tempo mudou a forma de pensar das pessoas. De iniciou, as pessoas,  foram incutidas  por via dos órgãos  de comunicação do estado que manifestação significada confusão e desordem. Para dar sustento a esta campanha de instrução, grupos de milícias criados no interesse do  governo,   se infiltravam nas manifestações para agredir  os manifestantes e conseqüentemente  propagaram  negativamente que os jovens manifestantes eram confusionistas e inimigos da paz.

 

O recurso das redes sociais para convocação de manifestações, trousse também coisas positivas para o governo, no campo do apetrechamento   das novas tecnologias. Através dos seus  Serviços de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE),  as autoridades ao sentirem ameaçadas  e  com dificuldades  no  supervisionamento da actividade de   intercepção e descodificação de mensagens  transmitidas  na internet, recorreram, em 2011, a   especialistas Israelitas para a compra de aparelhos  de alta tecnologia habilitados ao  rastreamento de mensagens  electrônicas “on-line”.  O  SINSE, mandou vir de emergência um grupo de 50 especialistas Israelitas ligados as comunicações que chegaram a  Luanda,  no dia 5 de Março. A  tarefa  seria    identificar a origem de um  email que ameaçava “derrubar o Presidente José Eduardo dos Santos, do poder, no dia 7 de Março”.

Como medida de prevenção,  naquela altura,  o SINSE adquiriu e instalou em pontos fulcrais da cidade de Luanda, sistemas de detenção  de vultos  humanos  com a capacidade de lançar alerta a cenários parecidos a manifestação ou outras movimentações humanas: Por exemplo se o aparelho   for  instalado num  edifício Dr Agostinho Neto,  terá a capacidade para  identificar  movimentação ou concentração de pessoas   na Caala  que por sua vez lança as coordenadas geográficas  para o operacional vigilante na central.  O  SINSE despacharia, de  seguida, um operacional no  local, da “confusão” e em caso de gravidade, este  lança o alerta para as forças de segurança (policia de intervenção ou normal) para intervirem.

Foram também comprados/facilitados, em Israel  aparelhos da mesma linha com a habilidade de detectar  por via de um sistema semelhante ao GPS a localização de aparelhos  idênticos  que  estejam  a  ser usados, em Luanda,  numa freqüência diferente aos aparelhos em uso oficial pelo SINSE.

A vantagem que  as convocação de manifestação via internet/facebook, trousse ao governo foi  de o SINSE ter passado a modernizar-se e  a formar quadros  para esta área.

 

O exemplo dos  sites de informação

 

Hoje a internet equivale a  informação. E uma pessoa informada  é alguém que esta habilitada em conhecer os seus direitos,  e de ter  poder de analisar fenômenos ao seu redor e etec.  Nos países desenvolvidos, os governos fazem questão de ter as suas populações informadas porque são elas que fazem crescer e dar seguimento ao rumo de uma nação. Já nos países  com pouca cultura democrática é diferente. Quanto menos instruídas as pessoas forem melhor, é para que os governos exerçam influencia sobre a mesma e as manipulam.

Muitas vezes, nas rádios do governo e em períodos pré eleitoral  culpa-se a UNITA pela destruição da cidade do Huambo.  Ontem, ao andarmos   pela cidade vimos  prédios e casas com sinais de bombardeamento de MIGs.  Quem é  informado  sabe que a UNITA nunca teve  MIGs  durante a guerra, logo se ela não tinha MIGs não pode ser ela quem fez bombardeamentos   aéreos a cidade do Huambo.

 

Também quem é informado não  aceita que a televisão lhe diga que a sua escola ou o hospital da sua aldeia deve-se a visão de X ou Y ou que é graças a magnanimidade de Z.  Um cidadão informado sabe que é dever constitucional e moral das autoridades  cuidarem do povo.

Conclusão

Uma vez que  queremos desenvolver o nosso país, e desenvolvimento das pessoas equivale estar  bem informada, o que se deve fazer para reforçar ou para que a informação chegue a todos?

No nosso entendimento achamos que o governo e as iniciativas privadas devem ajudar  ou  prestar assistência no seguinte:

- Acesso a internet grátis nas escolas

- Toda a população estudantil  deve ter o seu acesso a internet subvencionado pelo Estado. O Estudante não deveria pagar para ter internet

- Os privados devem criar mais jornais eletrônicos, com  acesso aos debates virtuais no sentido de alastrar a cultura de debate e tolerância entre as pessoas.

- O Presidente da Republica e seus respectivos ministros  devem  criar um email público para interagir com a população e esta por sua vez encaminhar  reclamações sobre a conduta do  governador ou administrador da sua área  ou darem sugestões e idéias de como se poderia implementar alguma política.

José Gama

Huambo, aos 10 de Maio de 2013

A POLÍCIA MATA 1 JOVEM E FERE OUTRO JOVEM A TIRO NO HUAMBO

O presente artigo é uma pequena narrativa de alguns casos de violação dos direitos humanos no Huambo, que o Gabinete dos Direitos Humanos do FORDU- Fórum Regional para o Desenvolvimento Universitário, tem acompanhado, atentamente e muitas vezes a convite e clamores das vítimas em busca de uma mão solidária, estes casos de abuso dos direitos dos cidadãos tem envolvido os agentes da Polícia Nacional e as autoridades governamentais. Tal foi motivado pelos casos que sempre se sucederam de forma constante e o silêncio, como uma “umbrella” que protege os prevaricadores. Os factos são todos reais, com nomes reais e nada inventado, numa altura em que o Estado Angolano faz a idolatria do Estado de Direito com a sua Nova Constituição, com a sua 10ª Comissão Parlamentar, com seu Ministério da Justiça e Direitos Humanos, com sua Provedoria da Justiça e com a sua Secretaria de Estado para os Direitos Humanos, coroado com as visitas pomposas da Alta Comissária dos Direitos Humanos das Nações Unida, num País onde estas instituições de Direitos Humanos servem exactamente para abençoar a violação de tais direitos por eles próprios. Nós temos uma versão real de que Angola em cada minuto há uma violação de direitos dos cidadãos e muitas vezes envolve algum agente do Estado quer como funcionário público quer especificamente como agente da polícia. Temos milhões de casos  e este é apenas um exemplo:

Os agentes da Polícia Nacional afectos à 4ª Esquadra do Comando Provincial da Polícia do Huambo, matou o jovem André Tchinguãlulu Sawimbo, filho de Artur Sawimbo e de Emiliana Kassinda,  de 21 anos de Idade, que em vida frequentava a 9ª Classe e morava no Bairro da Tchivela-São Pedro junto a estrada que liga a cidade e o mercado da Quissala.

COMO TUDO COMEÇOU? Pelas 11 horas do domingo passado (dia 28 de Abril de 2013), dois moradores do bairro Tchivela-São Pedro no Huambo acusaram-se de prática de feitiçaria que resultou numa briga entre vizinhos. Um dos vizinhos (presumível feiticeiro) telefonou para seu parente que é agente da Polícia e este convidou seus colegas para irem em socorro do acusado que se encontrava em conta com a Justiça Consuetudinária em casa do soba local. Quando a polícia chegou, há uma distancia de mais de 400 metros já começou a disparar armas de fogo com balas reais para dispersar as pessoas em redor da casa do soba. Desses agentes da polícia integrava um elemento afecto a Polícia de Investigação Criminal que integrou o grupo dos agentes para investigar, como seu trabalho normal, quando a confusão entre os populares e os agentes da polícia acirrou, os agentes da polícia dispararam com armas por todas as direcções, e o agente de investigação criminal vestido a paisana e também sem arma de fogo recebeu a arma de um dos seus colegas polícias  e com ela abriu uma rajada de tiros em rente; dessa rajada, resultou o ferimento grave a dois alunos que estavam num campo próximo a jogar futebol e desses dois feridos um não resistiu e veio a morrer 40 minutos depois de ter sido alvejado. Até ao momento a polícia não fez qualquer pronunciamento nem alguma notícia foi divulgada. Nem sequer a polícia está a se responsabilizar minimamente do sucedido.

Em função disso o Gabinete de Direitos Humanos do FORDU-Fórum Regional para o Desenvolvimento Universitário, deslocou-se a casa onde se está a realizar o óbito e que o funeral  do jovem morto pela polícia, está marcado para amanhã as 12 horas (dia 30 de Abril de 2013) de momento os restos mortais repousam sangrando, na casa mortuária do Hospital Regional do Huambo.

De recordar que não é primeira vez que a polícia do Huambo se envolve em tiroteios contra populares e que desses tiros resulte mortes e ferimentos graves para além de histórias repetidas de torturas a populares inocentes. Assim, para o beneficio dos leitores desses episódios totalmente desumanos e hediondos, aqui passaremos em sínteses alguns casos no passado que já denunciamos veementemente mas nada foi feito para punir os prevaricadores nas vestes de agentes da ordem:

1-O senhor Moisés Tchimu, é agente da polícia afecto a Direcção Provincial de Investigação Criminal do Huambo, onde exerce as funções de motorista. Conseguiu este emprego há mais de 10 anos, quando cumpria a cadeia por ter sido condenado, por matar sua própria mãe a espancamento. Dotado de habilidades de mecânica e motorista foi empregue pelos serviços prisionais esvaziando assim a pena que ele cumpria, estando solto imediatamente. No mês de Março de 2011, o agente da Polícia, Senhor Moises Tchimu invadiu o domicilio do senhor Tomás kassule que se encontrava a dormir juntamente com sua esposa Melvis Jamba, no bairro Bom Pastor, zona A, Casa sem número. O agente da polícia acusou aquela família de feitiçaria e através do tecto que ele próprio trepou e desmontou a chapa de cobertura e com arma de fogo abriu disparos contra a cama onde o casal dormia. Na sequência dos disparos em rajadas, a senhora Melvis Jamba não resistiu a 8 tiros disparados pelo agente da polícia e encontrou a morte certa. O  seu esposo, Tomás Kassule, ficou gravemente ferido, mas fingiu estar morto, o que lhe permitiu observar o suspeita e reconhecê-lo pois que eram vizinhos há mais de 15 anos. Na manhã seguinte, ainda em estado grave, o senhor Tomas Kassule, conseguiu dar uma entrevista à comunicação social informando que foi alvejado pelo Senhor Moisés Tchimu, seu vizinho. Dias depois o senhor Tomás Kassule acabou por morrer também. Curiosamente a polícia nunca se interessou em investigar seu colega que com ar trocista circulava impunemente aos arredores da casa onde se estava a realizar o óbito do senhor Tomás Kassule, revoltada a população tentou espancar o senhor suspeita e este telefonou imediatamente para seus colegas Polícia de Intervenção Rápida que em socorro apareceu pronto e armados até os dentes. Da acção da polícia, socorrendo seu colega, Moisés Tchimu, resultou na detenção de 32 populares do bairro Bom Pastor que permaneceram 72 nas cadeias do comando municipal da polícia do Huambo, sita no bairro são João. Salienta-se que a polícia para dispersar o povo, disparou armas de fogos com balas reais que alvejou a senhora Lauriana Mbaka, que é irmã mais nova do falecido senhor Tomás Kassule e esta senhora, baleada pela polícia, está inválida até hoje porque fraturou as pernas. Desse caso onde se perdeu duas vidas e 1 pessoa encontrou invalidez física, o suspeito está impune e atualmente reside no bairro da Kamussamba e continua ameaçando os vizinhos de que ele pode matar quem ele escolher e não irá preso.

2-O ancião Lemos é um idoso que vivia no Bairro da Tchiva no Huambo. Dia 25 de Outubro de 2011, o ancião foi avistado a passear nas redondezas de sua casa com duas crianças de 2 e 4 anos de idade respectivamente, filhos de uma vizinha (inquilina da casa do ancião). No mesmo dia, as crianças foram dadas por desaparecidas. 5 dias depois ou seja,  no dia 30 de Outubro as populações invadiram a residência do ancião encontrando uma das crianças mortas embrulhada num tecido da esposa do ancião Lemos. Pressionado pelos populares, o ancião confessou que seria autor da morte do menor de 2 anos de idade porém não conhecia o paradeiro da outra criança. No dia 01 de Novembro do mesmo ano, (6 dias depois) a população apresentou queixa à polícia afecta à II Esquadra do bairro são João, de que o ancião havia sequestrado 2 crianças e uma delas apareceu em casa do sequestrador já morta, porém a outra está ainda por aparecer. A polícia desvalorizou a queixa encaminhando-a para a  justiça tradicional alegando que se tratava de feitiçaria e as instâncias competentes seriam mesmo os sobas. Desesperada a população entendeu pressionar o ancião a mostrar onde teria posto a outra criança, já desaparecida e o ancião indicou onde tinha enterrado a outra criança que já fora encontrada morta. Indignada, a população no dia 02 de Novembro de 2011, espancou o ancião Lemos depois de confessar que matava as crianças para se rejuvenescer. A polícia apercebida do tumulto da população contra o Ancião  Lemos considerado feiticeiro veio em socorro do Ancião e a polícia disparou contra a população para dispersá-la, direcionando os disparos contra as paredes das casas. Desses disparos feitos pelos agentes da Polícia afectos a II esquadra do São João, fora atingido mortalmente o menor de 11 anos, que as balas trespassaram-no o crânio, a garganta e os tímpanos. O menor chamava-se Avelino Kossengue, filho de António Carlos e Maria Mandele, frequentava a 6ª classe. Para além dessa vítima mortal, os disparos da polícia furaram as portas e janelas de uma farmácia, resultando no ferimento de mais outros 2 jovens tendo contraído deficiência que lhes torna até hoje inválidos para o trabalho físico. Ainda em reação contra a fúria da população diante da chacina, a polícia arrastou para a cadeia 18 jovens que permaneceram encarcerados por 3 dias. Da parte da Polícia, não houve qualquer responsabilização criminal dos agentes, impunes os agentes ainda ameaçaram o senhor António Carlos, pai do menor Avelino Kossengue de 11 anos de idade morto pelos agentes da Polícia da IIª Esquadra do São João que os pais esquecessem imediatamente o sucedido. Intimidados aceitaram o conselho de esquecer a dor de perda de um filho de 11 anos em tempo de Paz.

3- Isaías Vapor Neves, cobrador de um táxi (hiace), conduzido pelo jovem, Dionísio, no dia 21 de Novembro de 2012, viu sua perna esquerda trespassada com 2 tiros de AK-M, no Bairro Bom Pastor na cidade do Huambo. Tudo começou quando os agentes da polícia afectos à brigada motorizada, perseguiram o Hiace que supostamente tinha passado com o semáforo vermelho na avenida  1º de Maio no Huambo, perseguido até ao Bom Pastor, o motorista imobilizou a viatura e se apresentou às autoridades. Imediatamente o motorista do Hiace foi algemado com tortura inclassificável. A raiva dos agentes da polícia não se esgotou na copiosa sova acompanhada de palavrões imorais contra o motorista do Hiace, durante o desnecessário furor da polícia um agente empunhou sua alma e sem hesitar disparou 2 tiros na perna esquerda do cobrador, este estatelou no chão jorrando sangue de forma totalmente dolorosa e ficou abandonado sem socorro. Os vizinhos e pessoas transeuntes socorreram o cobrador levando-o ao Hospital Regional do Huambo, enquanto os agentes arrastaram como esterco o motorista até à 5ª esquadra, onde recebeu várias sessões de torturas com porretes e algemado até que a nossa equipa de Direitos Humanos chegou e exigiu do comandante  da 5ª esquadra a soltura imediata do jovem Dionísio, motorista do Hiace (táxi) que o encontramos algemado como ladrão e a soluçar gemendo com desespero como se fosse um rato molhado.

O agente que alvejou Isaías Vapor Neves, está impune, enquanto Isaías contraiu uma deficiência que o torna inválido para toda vida.

5-Esmeril Katengue e Sousa Katengue, são irmãos. Ambos professores graduados na Universidade. De comportamento exemplar e chefes de famílias. No dia 28 de Outubro de 2012, pelas 23 horas, se faziam transportar no seu carro de marca Toyota Rav-4, há sensivelmente 100 metros de sua residência que é vizinha da unidade da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), 12 agentes da polícia rigorosamente fardados e armados abriram um cordão fechando a passagem e interceptaram a viatura para parar e os dois irmãos obedeceram. Um dos agentes ordenou que os dois irmãos abandonassem a viatura e entregassem a chave do carro e apagassem as luzes. Em resposta, os irmãos disseram estavam legais pelo que não viam razão de entregar a chave do carro e apagar as luzes numa hora tão tardia quanto àquela, numa estrada sem iluminação. Resistindo os irmãos, os 12 agentes começaram a espancar depois de neutraliza-los com torturas usando porretes elétricos, os dois irmãos caíram por terras ficando moles como se fosse pudim e foram espancados durante 1 hora. Seus corpos ficaram moles como se não tivessem espinha dorsal eram como se fosse polvo ou choco e foram arrastados através do alcatrão até à unidade da PIR. Sangrando os corpos todos, Sousa Katengue desmaiou e a polícia depois de examinar o corpo ao mesmo tempo que continuava dando golpes de botas no pescoço, concluiu que Sousa morrera. O irmão mais novo, Esmeril Katengue fingiu também morte, enquanto ouviam os agentes da polícia a dizerem entre eles que “deveriam levar os corpos à morgue e dizer que foram achados mortos na via pública”. Este plano não foi executado porque devido às proximidades com suas residências (100 metros) as gritarias de lamentos, antes de desmaios, foram ouvidos e os vizinhos saíram implorando a polícia para que apresentasse os corpos, a polícia negou categoricamente que não sabia nada do que os populares pediam, ameaçou os populares com armas, e um agente astuto, foi aquecer um sabre lentamente baixou as calças do Sousa e encostou o sabre em brasas nos testículos do infeliz Katengue, anulando-lhe a virilidade futura, ele soltou um grito pungente e o mesmo acto foi aplicado a Esmeril Katengue igualmente descoberto que não tinha morrido, ambos eram alguns fingidos e como remuneração desse fingimento receberam o triplo da tortura. A  seguir foram transportados num caminhão até a uma cadeia do comando municipal da Polícia do Huambo, no Bairro São João, acusados de estarem a conduzir sem carta e a refilar com os agentes da PIR. E ainda um agente humorista foi ouvido sarcasticamente a dizer: a tortura contra estes 2 vagabundos, delinquentes, deveria estimular e multiplicar  seu amor pela Polícia e pela Pátria,  porque as suas mandíbulas foram quebradas mesmo como um gesto puramente pedagógico e a sova brotou do amor profundo que a Polícia Nacional nutre  para com o indefeso e fraco povo angolano.

 Ficaram detidos 5 dias com costelas quebradas, ossos triturados, mandíbulas encravadas, olhos inchados, roupas ensanguentadas e rasgadas, ilíacos e virilhas desligados, para além dos epidídimos ardidos, escrotos rasgados... Até que foram conduzidos ao Tribunal Provincial do Huambo para serem julgados em julgamento sumário, acusados de conduzirem em estado de embriaguez e sem cartas de condução; acusação que não foi provada e as cartas de condução estavam em perfeitas condições para além de não terem sido actuados por algum polícia de trânsito. O Tribunal Provincial do Huambo não encontrou algum crime neles e foram soltos imediatamente. Os agentes da polícia, os carrascos agressores ninguém recebeu alguma sanção conhecida pelo contrário exibem nas ruas, porque são vizinhos, a arrogância, o trofeu da impunidade como se fosse condecoração perpétua de grandes honras enquanto o Esmeril Katengue e Sousa Katengue estão cheios de chagas atrozes nos corpos, dada a sova inclassificável que beneficiaram por serem cidadãos num Estado sem direitos.

6-Bartolomeu Sainga, foi feito FAPLA aos 9 anos, no Batalhão onde militou era conhecido com alcunha de Ngangula em homenagem ao herói fictício, o ídolo exemplar dos meninos do MPLA no tempo do Comunismo. Com 22 anos de idade quando terminou a guerra e não tinha habilidades académicas para começar a trabalhar. Por ter sido feito soldado menor, o nome dele não apareceu nas listas de desmobilização para não constranger o Estado Angolano que nunca assumiu publicamente ter recrutado menores, e por esta razão não beneficia de qualquer pensão de antigo combatente. Tem esposa e 4 filhos e por isso se empregou na empresa de segurança (protecção física). Nos dias de folga é motoqueiro fazendo mototaxi. Foi nesta actividade que no dia 07 de Outubro de 2012 conduzia sua motorizada (vulgo kupapata) e foi abordado pelos agentes reguladores de trânsitos em operação stop. Porém, os agentes estavam apoiados pela brigada motorizada da polícia de intervenção rápida (PIR). Pelo facto de conduzir sem proteger a cabeça com capacete, os agentes da polícia mandaram parar e mal este estacionou a motorizada para apresentar a documentação, os agentes da PIR apenas perguntaram uma única vez pelo capacete e o sr Bartolomeu não foi a tempo de responder e foi brutalmente arrebatado da sua moto e atirado ao ar como simples catavento. Quando  se estatelou contra o alcatrão, perdeu os sentidos e os PIR pisotearam-no até que sangrando já não compreendeu o que se estava a passar. Fraturou o braço direito, rasgou a testa com golpes das botas dos agentes. Os agentes justificaram: “preferimos neutraliza- lo, porque a maior parte dos mototaxistas do Huambo eram tropas comandos da UNITA e se não forem rapidamente arreados para a terra com um requinte de surra incluindo os tais porretes eléctricos pressionados contra os pescoços para que a vítima fica mole e escorregadio como bagre…tais sovas exemplares visam evitar que algum Agente da Polícia seja tocado então a surra é apenas preventiva cuja meta a longo prazo, é ampliar o canal de admiração do povo para com seu protector que é o Agente da Ordem Pública que só são guardiões da Paz e nada mais! O senhor Bartolomeu para além de se encontrar hoje com a testa cicatrizada de forma desfigurada para quem nasceu bonito, agora tem uma cicatriz comprida e curvilínea desenhando um S dramático na tez escura, o braço tornou-se deficiente e a motorizada dele foi apreendida pela polícia exigindo uma multa exageradamente alta, equivalente à 70% do custo da própria motorizada e ele não tendo como resgatar seu bem, a motorizada foi leiloada. Assim, para além de contrair deficiência perdeu igualmente o bem que o sustentava já que lutou a favor de um Estado e se encontra abandonado. 

Este são, alguns dos casos  de  violação de direitos humanos  num universo de milhares de casos que temos vindo a compilar quase diariamente, referentes às províncias do Huambo, Bié, Kuando-Kubango, Namibe e Benguela e em breve faremos a publicação completa.

E a pergunta que fica é: será que Angola ainda assim pode continuar a declamar a sua poesia narcisa de ser ESTADO DEMOCRÁTICO E DE DIREITOS?

Huambo aos 29 de Abril de 2013

Por: Ângelo Kapwatcha,

Activista cívico e Presidente do FORDU

segunda-feira, 25 de março de 2013

O FORDU-NAMIBE PROMOVEU UMA PALESTRA QUE CONTOU COM A PRESENÇA DE MAIS DE 300 PROFESSORES DA CIDADE DO NAMIBE

Reflectir com os professores sobre a REFORMA EDUCATIVA EM ANGOLA, é um exercício simultaneamente interessante e arriscada. Interessante porque desperta a consciência dos professores sobre o seu papel dinamizador da mudança positiva que deve ocorrer a partir do ambiente da educação e ai joga uma preponderância pessoal do próprio professor como motor de arranque da Reforma Educativa; arriscada porque durante vários anos o sector político em Angola foi esvaziando paulatinamente a tutela científica e assim, o domínio político se sobrepôs sobre o domínio científico e olhou-se para a cientificidade mais como ameaça do que como oportunidade. Devido à globalização, ao uso excessivo de tecnologias de informação, a internet, o telemóvel etc., o processo educativo, ultrapassa o âmbito do professor e da família. Desafia a própria organização curricular. No perfil do aluno encontramos capacidades, competências, habilidades e conhecimentos adquiridos fora dos parâmetros pedagógicos traçados na escola e fiscalizados pelo professor e professora. Assim, sendo está confirmado que a escola não é o único lugar onde o processo educativo acontece, ele ocorre na dimensão formal (escolas) na dimensão informal (no convívio interinstitucional e subjectivos) e na dimensão não formal (ritos, empregos, etc.). Estamos a viver as mundividências conflituais marcadas por macrotendências globais. E a escola deve responder a mudanças aceleradas dos nossos dias. Foi nesse sentido que em Angola depois da independência em 1975, REFORMA EDUCATIVA foi ensaiada logo a seguir a Independência.
Assim, Em 1977, relançou-se a Reforma Educativa com as seguintes linhas programáticas: a) a Liquidação da cultura e da educação colonialista e imperialistas. Adequando assim o  ensino na base da realidade cultural, económica e social do povo angolano; b) Combate vigoroso e rápido ao analfabetismo em todo o país; c) A instrução pública será da competência do Estado e estará sob a sua orientação directa. Criação, difusão e desenvolvimento dos meios modernos de comunicação social, como rádio, televisão, cinematecas, jornais, bibliotecas, etc; d) Ensino Primário obrigatório e gratuito por um período mínimo de 6 anos; e) Desenvolvimento do ensino secundário, do ensino técnico e profissional e do ensino superior; f) Estabelecimento de relações culturais com países estrangeiros. Formação e aperfeiçoamento de quadros técnicos necessários à construção do país; g) Impulso e desenvolvimento das ciências, das técnicas, das letras e das artes; h) Estímulo e apoio às actividades progressivas da juventude; i) Encorajamento e protecção, em todo o país, da cultura física. Começou-se a ampliar o quadro geral das reformas políticas e sócio - económicas, a fim de se consolidar a jovem Independência Nacional. Em 1978, começou-se a implementação dessa política dentro do espírito do socialismo científico. Esta política nas escolas caracterizou-se pela igualdade de oportunidade no acesso à escola, gratuitidade do ensino, no ensino obrigatório, nem mesmo o material didáctico era pago. A alfabetização foi. Esta reforma, praticamente não teve pernas para ir além tendo mesmo ficado encalhado devido a guerra civil e outros factores de ordem conjuntural. Em 1986, verificou-se que aqueles que já tinham sido alfabetizados regressaram ao estado de analfabetismo alguns literais e outros funcionais. Dai fez-se um diagnósticos cujos dados foram valorizados nas estratégias, tácticas e operações subsequentes. Devido a guerra mais uma vez não se conseguiu grandes resultados. Assim só em 2001 veio a definir-se o quadro legislativo que suportasse a REFORMA EDUCATIVA. Trata-se da lei nº 13/2001 de 31 de Dezembro que a lei de bases do sistema de educação de Angola. Devido a largos anos de conflito que destruiu a economia, a cultura de paz, fomentou a intolerância, produziu o paternalismo e exacerbou a cultura de consumismo e desenvolveu a preguiça, o ócio entendeu-se que o sistema de educação deveria mudar para melhor, deveria ser reajustada ao novo contexto de formação de quadros adequados ao crescimento e desenvolvimento que se pretende em Angola visando o progresso social, aí se deveria incluir novas divisões dos níveis de ensino, alterações no sistema de avaliação dos alunos, criação de novas cadeiras e reformulação dos conteúdos curriculares. Estruturalmente se deveria aumentar salas d aulas e seu mobiliário, aumentar o número de professores e a sua qualidade.

Assim a 1ª fase começou em 2002, foi preenchida com adequação dos sistemas de administração e gestão ao nível central e local.

Na 2ª fase que teve início em 2003, fez-se a experimentação dos novos currículos escolares, planos de estudo, programas e matérias pedagógicas.
A 3ª fase começou em 2006, e foi dedicada à avaliação e correcção, com base nos dados que foram sendo recolhidos na fase experimental.

A 4ª fase foi de 2006 e 2011, onde se introduziu progressivamente a Reforma Educativa nos vários anos de ensino, que culminou, em 2011, com a extinção do sistema educativo antigo, que integra o ensino primário, secundário, médio e superior.
A Reforma Educativa alargou, em dois anos o ensino primário de monodocência, que passa a abranger do 1º ao 6º ano de escolaridade, dispondo cada classe de apenas um professor para todas as disciplinas.

Por outro lado, é criado um complemento do ensino básico, entre o 7º e o 9º ano de escolaridade, acabando com a denominação de “ensino médio”, que abrange actualmente os níveis de ensino entre o 9º e o 12º ano.

Com esta reforma, o ensino secundário é dividido em dois ciclos, sendo o primeiro entre o 7º e o 9º e o segundo entre o 10º e o 12º anos.
O balanço provisório revela que o acesso de crianças ao sistema de ensino aumenta ano após anos devido ao aumento de salas de aulas Angola tem aproximadamente 950.000 salas de aulas absorvendo um universo de 7.000.000 de alunos, 250.000 professores não universitários, segundo dados oficiais do Governo. O enfoque fundamental da Reforma Educativa em Angola é o acesso de crianças ao sistema de educação.
O que é o acesso?
O acesso é a entrada para o interior do sistema. Agora o que se aprende por lá dentro se é útil ou não…
O que então uma Reforma Educativa? A reforma educativa é a resposta de ajustamento estrutural e funcional do sistema de educação adequá-la ao contexto de mudança, visando o desenvolvimento económico, sócio-político e cultural do país, pressupostos apenas possíveis com a educação do homem como o centro nevrálgico do progresso social
Quais são os elementos de pré-compreensão da Reforma Educativa? Qualquer nova proposta educativa deve apresentar objectivos e conteúdos que permitam configurar uma linha básica de acção para todos os estabelecimentos de ensino, dentre várias modificações figuram:
1-     Regular nos seus níveis não universitários. Estabelecer os anos de duração da escolarização (produzir a lei por exemplo lei 13/2001 de 31 de Dezembro

2-     Reordenar o sistema educativo, estabelecendo ensinos de regime geral (pré-escolar, primária e os dois ciclos) regime especial, línguas, e ensino de adulto.

3-     Estabelecer uma reforma profunda da formação profissional

4-     Ter em conta a compreensão das desigualdades da educação através de uma maior atenção à diversidade apresentada pelos alunos de cada estabelecimento de ensino

5-     Definir os factores que contribuem para melhorar a qualidade de ensino
Pressuposto de qualidade. Uma das grandes preocupações dos sistemas educativos é a qualidade da educação que oferecem; não se trata de ter mais horas de aulas ou mais actividades nas escolas, ou mais recursos mas sim de oferecer o que se revelará necessário e idóneo para o futuro das pessoas. Implica:
1-Gestão descentralizada – consistindo na proposta pedagógica aberta e flexível que facilita uma resposta adaptada às necessidades educativas de todos os alunos e de cada um em particular, com ou sem necessidades educativas especiais criando um currículo mais participativo. O que significa concretamente? Significa, que na Reforma Educativa a comunidade educativa é constituída pelo Professor, Aluno, pais e outras entidades sociais que devem traçar a sua própria trajectória. O pressuposto básico dessa interacção participada consiste e definir:
a)     Questões de carácter sociocultural – qual o papel do professor e do aluno? Quais as exigências sociais e qual deve ser a resposta da escola? Quais são os pressupostos teórico-praticos, quais são os valores, os usos, os costumes, as prioridades da comunidade onde a escola está inserida?

b)    Questões epistemológicas – que área ou âmbito devemos ou que disciplinas queremos tratar em maior profundidade? Que tipo de conhecimento proporcionamos, Pratico, Teórico, Generalista, Ou outros?


c)     Questões filosóficas ou de concepções básicas - que tipo de pessoa queremos educar? Que valores e hábitos, comportamentos, capacidades deveremos potenciar?

d)    Questões pedagógicas – qual é o propósito da pratica docente? Que condições em que deve trabalhar o professor? Que princípios educativos partilhamos? Que modelos didácticos, que autores e que mestres? Com que recursos contamos para alcançar tais objectivos? Qual é a cultura de cada escola, dos professores e dos pais e dos próprios alunos? Até que ponto a escola respeita a cultura dos alunos e da comunidade onde ela está inserida? (a semana de M’fiko as raparigas que faltam na escola são-lhes colocadas faltas?)
e)     Questões psicológicas – qual é o perfil e o nível de aptidão dos alunos? Quais os interesses, necessidades, motivações ou capacidades?
f)     Abrangência e a diversidade - significa que na Reforma Educativa é fundamental procurar-se uma educação básica comum para todos (homogeneização) para todos os alunos da mesma idade. Por outro lado, dentro dessa escola abrangente, homogénea é necessário educar cada aluno segundo as suas capacidades e interesses, isto é, tendo em conta a diversidade.
Na REFORMA EDUCATIVA DEVE SE DESCOBRIR E DEBATER E IMPLEMENTAR O TIPO DE CURRICULOS: E BASICAMENTE HÁ 2 TIPOS- CURRICULO NACIONAL E CURRICULO OFICIAL
QUAL É A DIFERENÇA ENTRE ELES?
CURRICULUM NACIONAL
CURRICULUM OFICIAL
Assegurar o acesso de todos os alunos aos  conteúdos amplos e equilibrados para um desenvolvimento flexível e adaptado à mudança rápida;
Representa as preferências e os valores dos grupos sociais dominantes
Estabelecer objectivos da sua educação obrigatória e acessível a todos os alunos, quaisquer que sejam as suas capacidades;
Não respeita o pluralismo cultural apanágio das sociedades democráticas modernas nem a realidade da comunidade onde a escola está
Assegura que todos os alunos independentemente das suas origens étnicas, sexo, local de residência e outras características individuais e sociais, possam seguir um currículo basicamente similar, relevante, vinculado à experiencia pessoal e valiosa para a vida adulta;
Centralização e burocratização das decisões educativas que se afastam das necessidades reais dos alunos e da comunidade escolar no seu todo (a escola não fala a língua dos alunos)
Assegurar a progressão, a coerência, e a continuidade no decorrer da educação obrigatória
Opõe-se ao direito dos alunos seleccionarem actividades e conteúdos de aprendizagem de acordo com as suas motivações e interesses
Assegurar que os currículos ministrados em todos os estabelecimentos de ensino possuam elementos comuns suficientes para permitir que os alunos mudem de estabelecimento de ensino sem sofrerem desajustes desnecessários
Determina o que todos os alunos devem aprender sem distinção sem ter em conta a diversidade de capacidades, interesses e motivações dos alunos
 Avalia o progresso realizado pelos alunos nos sucessivos níveis de escolaridade obrigatória com o fim de exigir mais aos que podem avançar mais e proporcionar mais ajuda pedagógica aos que dela necessitam.
Anula a autonomia e a iniciativa profissional dos docentes, que se convertem em simples executores de um plano previamente estabelecido
A educação finca raízes na vivência, nos usos, nos costumes, nas necessidades, nas expectativas dos alunos e famílias. A educação se baseia nas causas dos problemas em todos os sentidos e constrói caminhos e meios para os erradicar.
A educação se torna um facto de exclusão social, um factor de alienação cultural e um factor de definição de estrutura de classes.


Olhando detidamente pelo sistema de REFORMA EDUCATIVA ACTUAL:
 Os analistas dizem que no sistema de ensino em Angola, falta bibliotecas escolares, guias metodológicos dos professores, sessões de estudos, pesquisas, trocas de experiencias entre alunos de diferentes províncias que vivem realidades diferentes, as férias não têm sido aproveitadas para estudos, investigações, intercâmbios etc. A escola tem servido muito mais a tutela política do que a tutela científica. O currículo oficial procura homogeneizar o pensamento em detrimento da heterogeneidade que constitui os povos de Angola. As escolas não têm em conta as reais necessidades educativas dos alunos. Angola precisaria de uma escola cuja opção seria a mais flexível e aberta possível que facilitasse uma resposta mais adaptada às necessidades educativas, baseada numa gestão colegial que fixa objectivos a partir das reais necessidades dos alunos, dos professores e das expectativas da família e da comunidade envolvente e que de forma endógena definiria a sua missão e função educativa. Por exemplo, os programas de ensino aplicados nas zonas rurais são inadequados à vivência dos alunos, professores e família. Estes programas formam um homem e uma mulher com cultura hierarquizada nos valores urbanos estimulando o desânimo do aluno, professor e família da zona rural e estimulando as migrações para as zonas urbanas. Existe uma desarticulação total entre o sistema de ensino formal e não formal. Não há uma relação intrínseca entre os conhecimentos produzidos e veiculados na escola com os valores defendidos pela sociedade. Tornando mais a escola um factor de alienação, um factor de exclusão social e manutenção da desigualdade. A sociedade clama por uma educação inclusiva. As escolas que temos não se colocaram, ainda ao serviço das populações mais desfavorecidas nem estimulou a auto - estima, auto - organização dos camponeses. É um sistema que apenas repassa o código de leitura, escrita e cálculo. A escola angolana ainda não fala a língua dos seus alunos, dos seus professores e da família onde ela está inserida; a escola angolana ainda não fala da existência de fome, da doença, de lutas, de violência doméstica, de torturas, de injustiças, de desigualdade, de corrupção, de falta de transparência, de exclusão social, no nosso país. A escola angolana não fala dos perigos que representa a devastação das florestas, destruição do património genético animal e florestal. Por exemplo a escola do Giraúl ou do Kamukuiu, que está dentro do Kamukuiu, que se insere na dinâmica quotidiana de um Kamukuiu específico da realidade do Namibe em geral, esta escola do Kamukuiu não fala das relações directas e indirectas do contexto angolano com os problemas reais do Kamukuiu onde a escola está inserida, suas expectativas, seus valores, suas manifestações artísticas e culturais, suas formas de sobrevivência concretas e como consequência, o nosso aluno e o professor do Kamukuiu ou Giraul ou Bibala, ou doutra comunidade em igual situação, são cientificamente bem preparados, mas social e filosoficamente são deformados, veiculam conhecimentos estranhos à sua própria vivência que de nada resolvem os seus reais problemas. Porque se trata de um conhecimento teórico, desgarrado da realidade em que se vive, tornando o homem num ser eternamente passivo, objecto de obrigações e deveres e nunca se sente sujeito de direitos. O contexto político e económico, social e cultural de Angola, não se fala na escola. A escola não está a educar os alunos para paz, para a solidariedade, para a cooperação, para a camaradagem, para a transparência, para a honestidade, para a ética ou moral, para educação ambiental, para convivência multi – étnica, fazendo com que a escola seja passiva, memorística, livresca, acrítica, com métodos longamente expositivos, com aluno eternamente silenciosos e ouvintes do professor. Essa escola está descontextualizada porque não admite para dentro dos seus espaços filosóficos, o mundo real do qual fazem parte os alunos, professores e pais. E pergunto novamente, a REFORMA ESTÁ ENFOCADA EM QUE ASPECTO? A REFORMA ESTÁ ORIENTADA A ACESSO E NÃO AO CONHECIMENTO, HABILIDADE E COMPETENCIAS

CONHECIMENTO CONHECE O MENU
COMPETENCIA – LIDA COM OUTROS BEBADOS
HABILIDADE- LIDA COM TABULEIROS
IDENTIDADE CULTURAL- COMO ME VEJO E COMO OS OUTROS ME VEÊM?
MAO TSE TUNG DIZIA:
“Quem quer colher em um ano planta cereais, quem quer colher em 10 anos planta arvores e quem quer colher em 100 anos educa as pessoas” . Por isso, mesmo na plenitude da modernização, do desenvolvimento tecnológico, da globalização dos meios de comunicação e da informação, pode-se colonizar uma sociedade inteira durante 500 anos se não for educada. Pode até ser educada para a escravatura, educada para a preguiça, educada para o alcoolismo, educada para a barbárie, educada para o roubo, educada para o egoísmo, educada para a subserviência, educada para o nepotismo, o clientelismo, etc. Estas são as novas, modernas e mais destrutivas formas de colonização. Pode se manipular a consciência dos homens e mulheres e da Nação inteira se não for educada. Pode se manipular grupos étnico-linguísticos, grupos religiosos, grupos partidários, grupos de camponeses ou pastores, pode se manipular toda uma Nação se não for educada. Ainda é possível, fabricar pobres, ainda é possível fabricar prisioneiros de consciência, fabricar líderes apaniguados, fabricar servos, porque a educação amplia o instrumental de visão, liberta a consciência e ilumina e melhora os critérios de escolha entre o bom e o melhor. Como diz o aforismo “ quem sabe mais, luta melhor”. Por isso, o professor no contexto da reforma educativa não deve se contentar com o acesso dos alunos ao sistema de ensino deve sim ele próprio aprender a aprender. a pedagogia da reforma educativa deve ser impregnada de valores democráticos, solidariedade, combate a corrupção, formar valores no aluno, estimular  no aluno a noção do bem comum. Professor deve se formar, ler, entender, pesquisar e buscar todos os dias conhecimentos melhores e questionar os que já possui e aprender a esquecer o que não é mais necessário.
1-A Reforma Educativa deveria ensinar e promover valores
Num país como Angola onde ainda se convive com grandes desigualdades económicas, sociais, políticos e culturais, a REFORMA EDUCATIVA deveria construir um modelo pedagógico competente e socialmente comprometido com as especificidades locais e a heterogeneidade das nossas culturas para desenhar uma Angola plural com garantia de equidade. Sendo Angola senhora de uma história em que os valores morais, cívicos, patrióticos, éticos foram ‘delapidados da consciência do angolano, a REFORMA EDUCATIVA deveria reabilitar o tecido social, intensificando não só a instrução, o ensino da ciência como também educar a sociedade para a cidadania, educar a sociedade para a ética
2- Reforma Educativa deveria educar os angolanos para a produção e cooperação!
Uma análise desapaixonada, revelará que o homem angolano, no geral, é ainda inexperiente em tirar proveito das possibilidades que a natureza e a situação global lhe proporcionam. Ainda promove valores egoísticos e megalómanos, consumista, exibicionista, supérfluos e de “culto das aparências” e menos produtivo. Por não saber tirar proveito das potencialidades acaba por destruí-las. Aí Reforma Educativa deveria satisfazer a necessidade de uma educação para a subsistência, produção, cooperação, humildade, solidariedade. É preciso que o homem angolano aprenda a tirar das potencialidades locais e da situação em geral adversa, os meios de sobreviver, viver e desenvolver como individuo e como colectivo; como pessoa e como ‘Nação’. A experiência angolana, incluindo a que foi adquirida por ensaios e erros mostra que sem uma adequada qualificação dos seus recursos humanos não se tornará possível alcançar um maior desenvolvimento pior um pouco o progresso social. Os cidadãos, enquanto potenciais criadores de inovação e de riqueza, se não forem educados para a actividade laboral; se não forem educados para a afirmação da sua identidade cultural e para o conhecimento e respeito pelas demais; se não forem educados para a cidadania; não conseguirão fazer emergir os seus países do patamar de subdesenvolvimento em que encontram mergulhados, mesmo potencialmente ricos”. Estamos a sair do tempo em que a riqueza das nações se baseava na posse de terra, nos recursos minerais e nas forças militares e estamos a entrar numa era em que “ a razão da força substitui a força da razão”, podemos analisar os tigres asiáticos ou mesmo o Brasil contemporâneo a forma como estão a apostar na formação dos seus recursos humanos. “O Japão, país pobre em matérias-primas, mostra-nos, que a maior riqueza do seu país está no próprio homem japonês – o principal elemento das forças produtivas – detentor de um padrão educacional elevado, que é sustentado por uma cultura milenar e por um espírito aberto ao progresso e à modernidade.”
3. A reforma educativa deveria educar os angolanos para a liberdade e libertação!
Foram quinhentos anos de colonização que tirou liberdade aos angolanos. Foram 27 anos de uma guerra destruidora. Como será capaz de tirar proveito dos recursos naturais, da cooperação, das potencialidades existentes, da democratização do país se o angolano não é capaz de intervir no contexto? Sabemos quão precárias são as condições de liberdade do homem angolano, marcado por uma tradição de inexperiência democrática, as escolas marcadas pelos valores autoritários que são iguais aos valores autoritários da nossa sociedade. Daí a Reforma Educativa deveria é construir e implementar programas e planos educativos libertadores ou seja, pregar a PEDAGOGIA DO OPRIMIDO ou melhor a PEDAGOGIA DE LIBERTAÇÃO. O Grande Paulo Freire entendia que “a principal função da educação é seu carácter libertador. Para ele, ensinar seria, fundamentalmente, educar para a liberdade, a “educação para o homem-sujeito”.
4- A Reforma Educativa deveria educar os angolanos para a comunicação

Angola é um país onde ainda existe grande limitante de comunicação. Não há acesso aos meios de comunicação intersubjectiva. Os indivíduos, as famílias, as etnias, as religiões, os partidos políticos, as Organizações Não-Governamentais, as escolas estão maioritariamente insularizados, fechados egoisticamente nas suas orgânicas institucionais; não flui comunicações nem aprendizagens recíprocas, fazendo com que os laços de solidariedades, de intercâmbios se fragilizam do indivíduo ao grupo, das instituições até as organizações. Faltando a comunicação não existe coesão funcional, não existe espírito de equipa, não existe a união entre angolanos. Aí A Reforma Educativa deveria EDUCA PARA A COMUNICAÇÃO.
6-A Reforma Educativa deveria educar os angolanos para a transformação

Toda a vida dos angolanos tem uma profunda ligação com o natural, o original, uma vida semi-bruta. Os nossos recursos naturais, as nossas potencialidades naturais deparam-se com uma carência gritante de recursos humanos qualificados, materiais que permita a transformação não só dos recursos naturais como das transformações que devem acontecer no tecido social impregnado para uma dependência e mendicidade havia anos. Aí A reforma educativa deveria é transformar inimigos em amigos, adversários em companheiros, alunos em mestres, operários em engenheiros, políticos em solidários, naturais em sobrenaturais.
7- A reforma educativa deveria educar os angolanos para paz

Os 500 anos de colonização significaram 500 anos do uso de linguagem do chicote, da tortura, da exclusão social, da humilhação, da exploração, da brutalidade, da incomunicabilidade, da imoralidade, da alienação tácita e manifesta, uma cidadania mórbida etc. Foram 5 gerações a viver sob o jugo de uma tremenda falta de paz espiritual e social. Este período sombrio não terminou com a Independência, e sim ficou reciclado o conflito através de lutas tribais, étnicas, e principalmente a própria guerra civil que terminou há 7 anos atrás. Estas duas etapas marcam aquilo que é a mentalidade agressiva no homem angolano, cultura de violência, cultura de subserviência, de usurpação do património comum. Através de práticas reiteradas, o angolano perdeu a fórmula de manutenção da paz e os conflitos são opções para resolver problemas básicos. Aí Reforma Educativa deveria é a EDUCAÇÃO PARA PAZ.
8-A Reforma Educativa deveria educar os angolanos para a cidadania

Num Cômputo geral o homem angolano está mais vocacionado para uma formação técnico - profissional que lhe proporciona emprego e ganhando a vida. Não se sente motivado a buscar a vocação ontológica do homem “animal político”. Os seus níveis de participação na vida política estão relegados à cultura subserviente, sobrevivência, substrato material, subordinação doentia e apaniguada. Aí a Reforma Educativa deveria é formar o homem cidadão, o homem - história, o homem – sujeito.